Direitolândia

Porque foi criada a Direitolândia?

Todas as sociedades devem aspirar a que as suas crianças possam crescer e transformar-se em cidadãos responsáveis que contribuam para o bem- estar das suas comunidades. Contudo, em muitos países do mundo, muitas crianças veem negados os direitos que lhes possibilitariam desenvolver esse potencial.

Há crianças que sofrem diariamente violência e abusos; outras trabalham durante várias horas, comprometendo a sua saúde e educação; muitas não têm acesso à escola ou sofrem de doenças que noutros países são facilmente evitadas. A negação destes direitos básicos não só causa um sofrimento pessoal, como também semeia nestes cidadãos em formação um sentimento de exclusão social e política.

Ser criança não é uma realidade uniforme em todos os lugares do mundo. A demografia, o acesso à educação e às condições de saúde e de nutrição adequadas, a taxa de sobrevivência das crianças ou o tempo em que as mães e pais podem acompanhar os seus bebés após o nascimento dependem do país em que a criança vive. São diversos os fatores de desigualdade na forma como cada criança vê concretizado o seu direito a viver a infância com respeito pelo seu superior interesse, a principal norma orientadora da Convenção sobre os Direitos da Criança (CDC), adotada pela Assembleia Geral da ONU a 20 de novembro de 1989. Esta Convenção consagra os direitos universais de todas as crianças e foi ratificada pela generalidade dos países, incluindo Portugal e os demais países lusófonos, pelo que todos têm a responsabilidade conjunta de garantir que esses direitos são satisfeitos.

O projeto “Terra dos Direitos”, no âmbito do qual foi desenhada a Direitolândia, insere-se numa abordagem de ED como educação global, que visa a promoção de valores e atitudes de maior solidariedade e justiça global, através da mudança de comportamentos individuais. Na sua especificidade, o projeto “Terra dos Direitos” orienta a sua intervenção para uma abordagem de intervenção baseada na utilização de metodologias participativas de reflexão-ação, dando voz aos atores do Sul e do Norte, às suas dificuldades e sucessos no âmbito da defesa e proteção universal dos direitos da criança, no espaço da opinião pública portuguesa e em contexto de ações de educação de crianças.

É preciso criar uma opinião pública mais consciente da complexa rede global, das relações de interdependência e da noção de pobreza como problema global comum, que a todos afeta, e para cujas causas e respostas existe uma corresponsabilidade. É igualmente necessária a criação de mecanismos que favoreçam um maior conhecimento, diálogo e partilha de experiências e aprendizagens entre o Norte e o Sul, que ajudem a construir relações de paridade e que estimulem a participação ativa e crítica dos cidadãos no processo de Desenvolvimento.